Rádio Esmeralda - Vacaria   19/09/2017 | 18h29     Atualizado em 06/10/2017 | 09h15

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Governo prevê corte de verbas do esporte para 2018, e atletas repudiam: "Absurdo"

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O governo federal enviou à Câmara dos Deputados uma proposta para a Lei Orçamentária do Ano (LOA) para 2018 que promete afetar radicalmente o esporte brasileiro. De acordo com uma reportagem do site “UOL”, a verba para 2018 deve cair 87% em relação a 2017. O montante correspondente ao item “concessão de bolsas a atletas”, por exemplo, é de R$ 70 milhões. O Bolsa Atleta, cujo custo anual chega a R$ 130 milhões, se não for totalmente alterado, poderá até mesmo ser encerrado. O GloboEsporte.comouviu vários atletas brasileiros, que repudiaram a situação.

Medalhista de prata no Campeonato Mundial de Judô 2017 em Budapeste, na Hungria, na categoria pesos-pesados, o mato-grossense David Moura disse considerar a situação um absurdo. Ele afirmou estar triste com “penalização” de algumas áreas por conta da crise, como é o caso do esporte.

- Acho um absurdo! Entendo que em um momento de crise econômica a arrecadação governamental cai muito, sendo preciso realizar cortes de gastos em áreas que, embora importantes, não podem ser consideradas essenciais à vida em sociedade. Mas, me entristece ver que estas áreas (como a do esporte) são penalizadas antes de haver uma severa correção de verbas e benefícios recebidos por diversas classes de agentes públicos, contra os quais a população brasileira já se posicionou diversas vezes e as casas legislativas e a presidência da república parecem ignorar. Ao meu ver, estes deveriam ter sido os primeiros cortes, para então se pensar em cortes nas outras áreas. Acredito que retirar benefícios do alto rendimento pode impactar diretamente nas próximas gerações mudando drasticamente o futuro do esporte e da sociedade brasileira – comentou o judoca.

Prata nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, a paranaense Ágatha, jogadora de vôlei de praia, demonstrou preocupação com a possibilidade dessa queda brusca no investimento.

- Como a questão está em aberto, se isto realmente vai se concretizar... O que eu posso falar é que eu estou aqui torcendo para que não se torne realidade esta notícia. Já está difícil hoje em dia com o apoio do Ministério, imagine sem! E isso eu falo tanto em relação à Bolsa Atleta como ao apoio às Confederações, que diretamente nos proporcionam estrutura para competirmos - avaliou.

O Ministério do Esporte, por sua vez, emitiu um posicionamento oficial.

- Esses valores constam na previsão inicial da Lei Orçamentária Anual. O Ministério do Esporte tem trabalhado junto ao Congresso Nacional para elevar o orçamento da pasta previsto para o próximo ano - dizia a mensagem.

Principal programa do Ministério do Esporte, o Bolsa Atleta tinha previsão de consumir R$ 137 milhões este ano. Em 2016, foram R$ 143 milhões. Mas o governo cortou o montante até chegar em R$ 125 milhões. O item “concessão de bolsa a atletas” da LOA 2018 prevê apenas R$ 70 milhões. Sendo que somente os atletas beneficiados entre maio e junho pelo Bolsa Pódio deverão consumir R$ 31,5 milhões em 12 meses.

Um dos maiores medalhistas olímpicos do Brasil, o iatista Torben Grael, de 57 anos, que é atualmente vice-presidente da Federação Internacional de Vela, explicou que, em muitos casos, o Bolsa Atleta beneficiou pessoas que não deveriam ter direito ao benefício. Mas, para ele, "manter um Ministério, mas acabar com sua verba é pior do que extinguir o Ministério".

- Acho que o Bolsa Atleta foi mal utilizado e, inclusive, utilizado em muitos casos por gente que não deveria ter direito a este benefício. No caso da vela, depois de um princípio tumultuado, criamos regras rígidas para sua utilização, seguindo as diretrizes do próprio Ministério. Aí passa a ser positivo. Ele deveria ser um incentivo para atletas jovens em princípio de carreira e sem apoio de clubes ou patrocinadores. Já o Bolsa Pódio, creio deveria continuar. É apoio importante dos poucos atletas de nível que temos no país. Manter um Ministério, mas acabar com a sua verba é pior do que extinguir o Ministério. A pouca verba que sobrar será apenas para manter os funcionários e não trará muitos benefícios ao esporte – completou.

Nessa conta, o Bolsa Atleta é o programa que teve o menor corte (50%). O item “preparação de atletas e capacitação de recursos humanos para o esporte de alto rendimento” (ou seja, de onde saem recursos para convênios com as confederações), por exemplo, caiu de R$ 56,6 milhões em 2017 para R$ 7,2 milhões na Lei Orçamentária de 2018. Na “preparação de seleções principais para representação do Brasil em competições internacionais”, o valor desceu de R$ 40 milhões para R$ 4,8 milhões em 2018 se não houver mudanças nesse projeto de lei no Congresso.

Ainda há outros casos, como “implantação de infraestrutura esportiva de alto rendimento”, que foi de R$ 60 milhões em 2017 para R$ 13 milhões em 2018, e “combate ao doping”, saindo de R$ 8,7 milhões para R$ 2,7 milhões. O maior corte, entretanto, é no item “implantação e modernização de infraestrutura para esporte educacional, recreativo e de lazer”, que se refere a pequenas obras em equipamentos públicos ao redor do Brasil, cairá de 462 milhões em 2017 para R$ 7 milhões em 2018 se a LOA for aprovada.

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