Rádio Esmeralda - Vacaria   09/07/2017 | 09h25     Atualizado em 09/07/2017 | 09h28

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Ngapeth destrói o sonho do deca, França bate o Brasil e é campeã da Liga Mundial

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O roteiro parecia montado à perfeição. Na história que a seleção brasileira queria contar, a Arena da Baixada aparecia como cenário ideal. No início, nem mesmo o frio de 12°C incomodava. Earvin Ngapeth, porém, não teve medo de vestir a máscara de vilão. Ao sorrir de forma irônica e olhar para o telão a cada ponto, se mostrou à vontade em terreno rival. Aos poucos, o sonho do décimo título da Liga Mundial se dissipou nos ataques do ponteiro francês. De virada e diante de mais de 23 mil pessoas, o Brasil caiu para a França em 3 sets a 2, parciais 21/25, 25/15, 25/23, 19/25 e 15/13.

Ngapeth destruiu as chances do título brasileiro. O polêmico atacante francês fez jus à marra: terminou o jogo com 29 pontos. Boyer, jovem promessa de 21 anos, fez 18. Pelo Brasil, Lucarelli e Wallace fecharam a partida com 22 pontos. Mais cedo, o Canadá bateu os Estados Unidos de virada (3 a 1) e conquistou o bronze - sua primeira medalha na história da Liga Mundial.

 

O jejum, então, continua. Sem vencer a Liga Mundial desde 2010, o Brasil volta a bater na trave, como acontecera no ano passado, diante da Sérvia. A seleção, no entanto, segue como maior vencedora, com nove títulos: 1993, 2001, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2009 e 2010. A França, por outro lado, se confirma como algoz do Brasil na casa do rival. Em 2015, em seu único título até então, foi campeã no Rio de Janeiro.

 

Quando a bola de Wallace explodiu no chão rival, a torcida logo mostrou sua força. Foi assim também nas vaias contra Ngapeth, o astro da França. Os rivais, porém, se fizeram de surdos. Conseguiram tomar à frente justamente em um ponto de seu principal jogador. Era um jogo tenso, como havia de ser. O Brasil estava bem, porém, e, impulsionado pelas arquibancadas, abriu 17/14 em ataque de Wallace, explorando o bloqueio.

A França lutava. Ngapeth e Boyer fugiam do bloqueio e davam trabalho à defesa brasileira. Mas também erravam muito. Em novo saque para fora, deu mais um ponto de graça para os donos da casa, que abriram 20/17. O ritmo foi mantido até o fim, mas o Brasil precisou de duas chances para fechar o set. Na primeira tentativa, no ataque de Maurício Borges, a bola bateu na câmera que filmava a partida. O ponto voltou, mas, logo depois, foi Maurício Souza quem fechou a conta: 25/21.

 

Maurício Souza errou o saque na volta à quadra. Lucão, porém, subiu alto e atacou rápido para marcar o primeiro ponto do time. Ngapeth, então, resolveu aparecer. Primeiro, bloqueou Maurício Borges e fez cara feia. Logo depois, subiu sozinho no meio para marcar mais um ponto. Ali, a França já tinha 5/1, e Renan resolveu parar o jogo. A seleção demorou um pouco, mas conseguiu encostar. Wallace marcou o primeiro ace do jogo e diminuiu a diferença para apenas dois pontos: 8/6.

 

A França, porém, voltou a disparar. Maurício Borges ficou no bloqueio, e os rivais abriram 12/7. Renan, então, parou a partida mais uma vez e tentou arrumar a casa. Não funcionou. O momento era todo dos europeus, que abriram 20/12. O técnico brasileiro tentou a última cartada para se manter vivo na parcial e mandou Renan Buiatti e Rapha para a quadra na inversão 5x1. A mudança esteve longe de funcionar. Com autoridade, a França fechou em 25/15 e empatou o jogo.

O grandalhão Kevin Le Roux soltou o braço e sacou para marcar o primeiro ponto do terceiro set. Maurício Borges, em uma pancada, e Lucão, no bloqueio, colocaram o Brasil à frente. A França manteve o ritmo da parcial anterior, e o Brasil tentou acompanhar. O time, porém, errava bolas fáceis, como no contra-ataque para fora de Lucarelli. Quando o placar marcava 7/4 para os rivais, Renan parou o jogo.

 

Na volta, Wallace fez a bola explodir no rosto de Chinenyeze. Mas, talvez impulsionado pelas vaias, Ngapeth fazia estragos. Em novo ataque do ponteiro, a França abriu 11/6. Na marra, o Brasil cresceu e conseguiu voltar ao jogo. Quando a diferença caiu para dois pontos (13/11), Laurent Tillie parou o jogo.

A França voltou a disparar. Àquela altura, o momento não era dos melhores. Com muitos erros, a seleção dava espaço para o ataque rival. Na vibração de Wallace, porém, a equipe da casa voltou a encostar e chegou ao empate em ataque do oposto: (20/20). Mais do que nunca, a torcida fez a Arena tremer. Wallace, mais uma vez, atacou e fez a seleção tomar a frente em 21/20. A tensão, no entanto, quase dava para ser sentida em quadra. Apesar de toda a luta, a França fechou o set justamente com um bloqueio sobre o oposto do brasileiro: 25/23.

 

Era hora de apagar o que havia sido feito até ali e começar de novo. Renan manteve Éder em quadra e colocou Tiago Brendle no lugar de Thales. O central correspondeu e, sozinho, bloqueou Boyer, fazendo o Brasil abrir 7/3. A França, no entanto, ainda estava no jogo e fez a diferença cair para dois pontos. Renan pediu tempo e tentou esfriar a reação rival. Ainda que tenha se mantido na luta, os franceses não conseguiram tirar a diferença. Com 25/19, o Brasil respirou e forçou o tie-break.

 

Lucarelli voou e abriu a contagem no set decisivo. Maurício Borges, na sequência, ampliou a vantagem. O Brasil tentou afastar a tensão na marra - e de forma rápida. A França resistia e tentava evitar ficar para trás. Depois de os donos da casa abrirem três pontos, os visitantes chegaram ao empate com um bloqueio sobre Maurício Borges: 7/7. O roteiro voltou a se repetir logo depois: o Brasil abriu, e a França empatou em lance improvável, com uma defesa indo direto para o fundo da quadra dos donos da casa. De quem? Ngapeth, claro. O lance pareceu desanimar a torcida. Logo depois, a França virou e fez 12/11. O Brasil ainda sonhou com a reação. Não deu. O ponto final veio das mãos do maior vilão: Ngapeth fechou a conta em 15/13.

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